21.8.07

Conversa comigo mesma

Engraçado como alguns momentos parecem eternidades e algumas eternidades tornam-se efêmeras em frações de segundo. Em horas assim me vem um desejo de jogar tudo pro alto e entrar em qualquer um dos livros de minha vida.

[ler: meus livros favoritos]

Continuando – ainda que não pareça. É egoísmo demais querer escrever uma história com uma pessoa íntegra? Tudo bem, eu não sou o melhor exemplo de integridade do mercado, mas será que ninguém que tenta acertar erra nesse planeta?

É demais querer ter filhos, um cachorro (ta bom, dois), um teto, alguns livros e um colo quentinho onde posso aninhar meu corpo depois de um dia cansativo de trabalho? É demais desejar um comercial de margarina?

[Reduzindo a indignação]

Ok... Talvez ainda não tenha nada disso porque, de alguma maneira, ainda temo a situação.

[Ler: afasto o comercial de margarina]

Ou talvez não seja o momento, afinal um "olímpico" trajeto a percorrer antes de trazer essa aspiração à realidade me aguarda... Talvez comerciais de margarina sejam apenas comerciais de margarina, não a realidade (Meu Deus o que estou dizendo?!).

Enfim...

Ai poxa!

To precisando de um colo =~~~


Felizmente amanhã isso passa.
Acho bom passar mesmo!

19.8.07

Presente





Às vezes acho que a vida deveria perguntar se estou preparada para certos tipos de surpresas.

[Claro, não se pergunta esse tipo de coisa quando se quer surpreender, é uma espécie de regra para consolidar “o ápice do deslumbramento desprevenido”. Mesmo assim penso que a tal perguntinha cairia bem em dados momentos.]

Esse mês me trouxe duas surpresas - válidas, mas não muito boas - e um presente. O presente me foi dado ontem através de um sincero eu te amo. Não o eu te amo clássico que visa algo, mas sim, o eu te amo puro que quer apenas ser expresso como forma máxima de carinho. O eu te amo que não desconfio; o fraternal. É bom se sentir amada dessa forma por uma pessoa amiga. Não tem preço.

Obrigada por tudo.

16.8.07

"Papinhos Cabeça"


O que significa um relacionamento afinal?


Até hoje, para mim, significava responsabilidade. Calma, não é esse tipo de responsabilidade que se imagina. Eu me responsabilizava pela relação inteira inclusive pela parte que não me cabia: a do outro. Tomava como minhas as responsabilidades do outro, os erros e escolhas do outro. Sabia que isso era errado, mas não sei por que carga d’água continuava a me responsabilizar.


Hoje conversando com minha terapeuta sobre o assunto, passei a me dar conta de que uma relação se estabelece conscientemente. Ainda que possua mesclas de fantasia, a relação é visível à consciência - óbvio, mas como disse antes, só me dei conta do que isso realmente significa hoje.


E o que isso quer dizer?


Se alguém escolhe estar ao teu lado é porque deseja estar (ao menos que tenhas forçado através de alguma ameaça - o que definitivamente não é o caso).
Por isso, não aceite quando alguém tentar jogar sobre ti a responsabilidade do “não suprimento das expectativas”.

O outro criou expectativas porque quis e tu não tens obrigação nenhuma de fazer com que as mesmas sejam preenchidas e vice-versa. A culpa da fantasia é de quem cria, não sua (salvo se vc for a criadora).


Vivendo e aprendendo.

12.8.07

A raposa.



Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas.
Contemplou-as... Eram todas iguais à sua flor.
E deitado na relva, ele chorou......
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... Cativa-me! Disse ela.


Eu não consigo ficar sem lágrimas nos olhos quando leio essa parte.
Acho que tenho um "q" de raposa.

9.8.07

Agridoce




[O Incógnito]

Ele contextualizou, mas como era de se esperar recusei. Era o que eu podia dar na época? Não faço idéia até hoje. Simplesmente recusei – meus argumentos eram mais plausíveis. Ponderei e dei de ombros.

Covardia ou ponderação? Deixo a critério. Sabia que essas senhoras andam em círculos? Eu não, mas aprendi – o tempo é um ótimo catedrático quando o assunto é “mostrar a cada um a capacidade quase inerente de mascarar coisas”.

Os anos passaram em nuvens brancas quando nos reencontramos – maldita circunferência. Lá estava o senhor Incógnito me tomando outra vez. O tema ainda era o mesmo, mas o argumento mudou...

[Pensamento final: Por que não ouvi-lo?]

Enfim, segui a diante com o senhor sinistro e deparei com um conceito novo: o amor.

[Lá vamos nós outra vez]

Meu primeiro amor foi agridoce. Nem um extremo nem outro. Apenas agridoce – disso eu lembro bem, porque esta característica o tornou singular. E que mérito existe em ser agridoce? Nenhum digno de nota – excetuando-se claro minha preferência, a partir daí, por pessoas assim.

Recapitulando minha vida afetiva, posso dizer que tive muita sorte. Todas as pessoas com as quais fiz história foram fantástica e singularmente agridoces.

[Ode aos Agridoces!]




Um dia explico o que é ser agridoce.

28.7.07

Casamento

Ontem percebi que não sou tão avessa a casamento quanto pensava.

27.7.07

Re-Descoberta


A serenata crepuscular anunciava o início do fim de mais uma jornada – em breve, pensava, encontrar-se-ia diante de seu momento mais frágil. Pelo caminho, grãos acinzentados insistiam em ruir do negro firmamento; já não era mais tão simples continuar a jornada. Estava cansada.

A vida jazia cada vez mais por entre os dedos, assim como a cômoda existência que há muito preservou. Não havia mais razão para seguir: agora, até o que julgara ser pele, o que julgara ser, desvendava-se num apinhado de tintas e lágrimas. Ela desmanchava. Ela escurecia. Ela renascia em si e aflorava. Outra vez.



A única configuração de suicídio louvável é aquela que proclama a morte da ignorância sobre si mesmo.

Apaixonem-se por si mesmos: (re)descubram-se. Parece difícil - como o cenário acima - mas vale a pena.

26.7.07

Maçãs Negras


Sonhei com o teu quintal

coberto de ramagens

ofertando maçãs negras

e de repente senti

o meu coração estrangeiro.

Longe do meu tempo

à revelia dos sonhos,

levei adiante o destino,

fui a Damasco e Chipre

'Sem chorar os mortos'.

Depois voltei sozinha

num barco de quilha azul

sobre águas de marfim

só para ver no inverno

rios chegarem ao mar.

Enfim, no longe surgiu

uma casa de teto alto

com muros rastejando

entre flores douradas:

era o pouso do acaso.

Só não fui ao teu quintal... tive medo.


(Deborah Brennand - Maçãs Negras)

Esse e muitos outros poemas podem ser vistos em http://www.plataforma.paraapoesia.nom.br/paglinks2.htm

22.7.07

O Grande Ditador




"_Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.


Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros?


Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.


Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido...


A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá...


Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"



(Trecho do último discurso de "O Grande Ditador" - Charles Chaplin)