13.1.11

Mon Petit Paradise

Por fim, deitou a expressividade castanha de sua íris em meus olhos admirando talvez o pouco de racionalidade que teimosamente sustantava-me. Desejava-me... desejava-lhe... desejavamo-nos em silêncio. Amanhecia quando a sofreguidão de seu alento misturou-se ao meu. A sede enebriante que ela carregava em seus lábios consumia-me com a lascívia de quem peca por vontade... e maquiavélicamente. Beijavamo-nos devagar, saboreando uma a outra sem qualquer vestígio de finalidade. Em sua língua minha embriagues aflorava aos poucos, de tal sorte, que o corpo que um dia me pertenceu agora destinava-se a outro... ao dela. Suas mãos deslizavam sem pressa sobre o tecido que me encobria equanto a boca convencia-me a não oferecer qualquer tipo de resistência. Minhas mãos vagarosamente percorriam a parca nudez exposta em seu pescoço entrelaçando-se cuidadosamente aos longos fios de cabelo. Desejava tê-la em mim. Nossos instintos acariciavam-se lenta e voluptuosamente... o começo do fim... a efemeridade de um deleite adormecido... sem mais por hora.


Seria verdade...?

17.9.07

Por isso...

Aos que acompanham minhas palavras

1) Nem sempre escrevo sobre o hoje exatamente hoje – nem sempre escrevo sobre o meu hoje. Hoje pode durar um dia inteiro, uma vida inteira, alguns segundos ou nada disso. Por isso não me cobre coerência.

2) Ofertei a mim mesma o direito de escolher ter vários caminhos para um mesmo objetivo. Não sei, e possivelmente nunca saberei qual o certo. Mas posso afirmar que existe o sincero desejo de descobrir. Não me cobre coerência.

3) Eu sei contar piada – sei até mais de uma sabia? Por isso se você topar comigo pessoalmente e lembrar-se desse blog, não me cobre coerência.

4) Por fim, contradição é a mais antiga das artes, por isso não me cobre coerência.

16.9.07

Sentimentos de carne e osso

A condição era existir até o presente momento, apenas existir diante dos meus sentidos. Isso me bastava, me inspirava, me aquietava. Por muitos anos segui o lema da “superficialidade das coisas abrolhando profundos pensamentos”. E como escritora frustrada era feliz assim (acho), mas como mulher não.

Meu atrevimento humano, cada vez mais insolente, aos brados declarou guerra. Sinto o calor de o seu alento ecoar acompanhando os versos de soberbo desespero. Percebo que minha alma quer profundidade também nas coisas. Não quer mais interpretar, quer sentir. É como se agora ela precisasse disso como, talvez, jamais necessitei.

Ambiciono um tipo diferente de inspiração vital - tipo que ainda desconheço, mas sei de onde pode vir.




Preciso caminhar com mais freqüência entre gente de verdade - por dentro e por fora delas. Preciso de sentimentos de carne e osso.

13.9.07

Solteiro



Acima das acepções que essa palavra possui, solteiro(a) me remete a “solto”. Descompromissado, desgarrado e a maioria das assertivas que fazem referência a liberdade.

“Solteiro” não faz alusão à solidão em meu contexto e por isso, talvez, não me apegue com tanta facilidade – haja vista que tal palavrinha teima em traduzir algo positivo.

Refletindo um pouco mais sobre o tema, cheguei à conclusão óbvia de que posso ser mal interpretada por pensar dessa forma – aliás, sou mal interpretada por isso.

Os que associam a palavra à promiscuidade me apontam – o que é engraçado uma vez que a interpretação deles não é a minha (sendo assim, quem é o promíscuo afinal?). Uma pena que me vejam dessa forma, uma pena mesmo.

O fato, é que eu não entraria num relacionamento sem um mínimo de amor atualmente. Se para algumas pessoas eu sou um dos seres mais frios, complexos, insensíveis e por que não dizer, "indiferentes da face da Terra" devido a isso... Paciência.



(calma, o conto das 3 Marias tem continuidade sim)


9.9.07

Ela, eu, nós.



Existem, pelo menos, duas mulheres alicerçando esta que agora redige aos senhores. Uma conta as histórias, a outra as vivencia – mas nem sempre.

Antes que pensem, não se trata de um caso de múltiplas personalidades ou de um enredo medíocre para filme de terror barato. Elas, as tais, não me fogem a consciência. Elas se reconhecem, eu as reconheço, todas são uma só, sou eu.

[Confuso?]

Seria um caso de natureza versus comportamento, id versus superego? Intrigante.

Por fim, a quantidade é irrelevante. A razão que me motiva a registrar essa “consciência” reside nas características das mulheres que possuo - e posso ser. Ter várias mulheres dentro de si é fácil, difícil é manter-se “pessoa coerente” com tanta disparidade.

Felizmente, aos poucos percebo maneiras para diminuir a dessemelhança entre uma e outra. Quem sabe um dia meu discurso fique mais coerente, preciso e homogêneo...



Será que algum ser humano é capaz disso?

29.8.07

Comentário



Não é impressão, eu mudei de assunto e larguei o conto no bolso.
[Não estava mais espontâneo.]
Quem sabe um dia ;)

Bonjour.


Indicação - só me remete aos papos das meninas da faculdade: surreais, mas divertidíssimos:
www.patifariatotal.blogger.com.br

Saramago

"Então deixe-se ficar comigo, que me sinto a flutuar, como se não tivesse a certeza de ser o que julgo ser,
Às vezes penso que talvez fosse preferível não sabermos quem somos..."

(José Saramago - A caverna)



http://sabotagem.revolt.org/sites/sabotagem/files/saramago_a_caverna.pdf.

27.8.07

Alegría

Cirque Du Soleil "Alegría"
Ontem a noite, nada de sono, ligo a tv no fantástico e deparo com uma parte da apresentação de "Alegría" do Cirque du Soleil. Após um rompante de emoção e total "abobalhamento", concluo: é tão lindo que até os palhaços me fariam chorar.

Alguém me convida pro Rio de Janeiro?

24.8.07

O Conto - I parte

[Num café próximo...]


Com sofreguidão estava sua mão esquerda a tatear em busca de um lenço ou algo parecido. Não encontrou. Teria que embrenhar-se naquele entrave sem disfarce, concluiu. Era preciso sair da aglomeração antes que suas reservas desfalecessem.

Imersa em angústia, mal calcula o susto: eu estava a poucos metros, atônita, vendo tudo. Justo quem não deveria, quem jamais poderia - por ser uma das poucas pessoas que sabe, ainda, ler suas emoções - estava ali diante daqueles fortes olhos avermelhados – quase secos tamanha a determinação em não lacrimejar. Imagino o que se passou dentro daquele corpo naquele segundo.

Tomou a bolsa nas mãos como quem toma uma bóia no meio do oceano, cerrou os olhos, despediu-se de um amigo em comum que a acompanhava, pagou o café e saiu dissimulando altivez - exatamente nessa ordem.


[Uma última olhada em minha direção antes de deixar o espaço. Deu de ombros.]


Felipe, o amigo em comum, me arrancou do choque ao pousar a mão sobre meu braço – sequer percebi sua aproximação. Nos falamos brevemente, comprei meus cigarros e fui embora. Saí dali tão zonza que, acredito, devo ter sido guiada por forças maiores para não cair da passarela ou ser atropelada a caminho da faculdade. Estava absorta na primeira frase dita pelo moço:

_ “...Falávamos sobre você ainda a pouco”.



(...)